sábado, novembro 11, 2017

Em silêncio


Em silêncio os pássaros
rasgam o vento
sobrevoando
mares encapotados
por neblinas à deriva,
como barcos a sucumbir
nos areais gélidos
de praias imaginárias
dispersas pelos sonhos
inacabados
dos náufragos.

Em veloz apatia
cardumes flutuam
como foguetes
a cintilar nas águas
as faíscas dos relâmpagos.



Texto 
Ailime
Imagem Google
30.05.2016
(Reposição)

sábado, outubro 28, 2017

Há no silêncio das águas


Há no silêncio das águas
um outro planeta
a carpir o chão queimado.
E na ausência das marés
a terra implora
que as gaivotas regressem
para libertar os barcos
esquecidos nos portos.
No meu olhar ressequido
há muito que as cinzas
não me deixam ver claro.

Texto
Ailime
28.10.2017
Imagem Google

quarta-feira, outubro 18, 2017

Quando no meu regaço vazio

Imagem Google


Quando no meu regaço vazio
Abrigo o silêncio dos búzios
É como se o mar recuasse
Em perseguição do sol-posto.

Estendo o olhar ao infinito
E perscruto nas asas dos pássaros
O regresso das águas
Envoltas em manhãs de coral.

A luz antecipa-se às marés
E esboça nas velas dos barcos
Tons rasgados de aurora
A raiar o céu verde de espanto.


TextoAilime
 08.07.2015
(Reposição)

segunda-feira, setembro 25, 2017

Nas folhas de outono


Há nas folhas de outono o encanto do pôr do sol.
Os seus dourados e vermelhos lembram o astro rei
quando ao entardecer parece aninhar-se no horizonte
num leito feito de luz que nos extasia o olhar.

A Terra parece respirar silêncio e serenidade
e as gaivotas bailam sobre as marés 
a magia desse momento que atordoa os sentidos,
como se o crepúsculo reacendesse em nós
o anseio de um novo alvorecer.



Texto e foto
Ailime
25.09.2017

quinta-feira, setembro 14, 2017

Nos olhos da noite também há luz.



Nos olhos da noite
sentia-te o silêncio mudo
que te escavava no rosto
a angústia, que te dilacerava
no peito a ausência da luz.

Dias tortuosos, sombras
que te trespassavam o olhar
pálido como paredes brancas
onde o luar se queda
em noite de quarto crescente.

Mas nem sempre o inverno
obscurece os mares que navegas.
Timidamente uma vigia abriu-se
e de rompante dissiparam-se as trevas.
A luz reacendeu-te no olhar, a vida
que na praia te aguardava a sorrir.

É que nos olhos da noite também há luz.



Texto e foto
Ailime
13.09.2016
(Reposição)

quinta-feira, agosto 31, 2017

Há como que um relógio


Salvador Dali


Há como que um relógio
suspenso nas paredes do tempo
onde os ponteiros das horas
esvoaçam como pássaros
a rasar a manhã
em voos rápidos e intermitentes,
que desnorteiam as folhas
que vão tombando
neste outono precoce.
Quisera deter o ímpeto dos pássaros
e a queda das folhas
abraçando o entardecer
como se não houvesse amanhã.



Texto Ailime                                                                     
Imagem Google
31.08.2017

sábado, agosto 12, 2017

Buscas as palavras


Buscas as palavras.
Em frente de ti o mar,
sob um céu matizado de azul.
As sombras evadiram-se.
A luminosidade é agora
tua cúmplice e sorris.
O mar tem esse encanto
de penetrar os ramos dos pinheiros
e induzir a luz nos teus olhos.
As palavras brotam-te dos dedos
como seiva a despontar no lenho.
O mar recua e o vento
acena-te a liberdade.
                                                   
                                                         

Texto e foto
Ailime
08.08..2017


 

quinta-feira, julho 13, 2017

Um silêncio, uma pausa


Um silêncio, uma pausa
e um rio que emana
mananciais de deserto
libertando orvalhos,
que se transmutam
em oásis de escuta.

O vento cálido
sopra nas dunas
os ecos insondáveis
dos enigmas
que a terra gera.

                                                                                             
Ailime (reposição)
Imagem Google
(Estarei ausente da Net durante algum tempo.
Até breve).

quinta-feira, julho 06, 2017

No silêncio da manhã

Leonid Afremov

No silêncio da manhã
o cair da chuva
atenua os raios do sol
que timidamente persistem em luzir
para perfumar o dia
com as cores da alvorada.
No horizonte
um arco-íris pinta no firmamento
a alegoria do silêncio
a venerar a manhã.


Texto e foto
Ailime
06.07.2017

quinta-feira, junho 22, 2017

O grito

Eduard Munch

Mastigo as palavras
que me corroem a alma
e se colam na garganta
como se um grito silente
me ocultasse na voz
as sílabas que, teimosas,
me  estrangulam no peito
a construção do poema.
É que há palavras,
que rasgam o ventre
ao germinar.


Ailime
04.08.2016
(Reposição)